Resposta rápida: o valor da pensão alimentícia não é definitivo. O artigo 1.699 do Código Civil permite pedir revisão sempre que mudar a situação de quem paga ou a necessidade de quem recebe, para aumentar, reduzir ou encerrar. O pedido é feito por uma ação revisional, também gratuita pela Defensoria Pública, e o que convence o juiz são provas da mudança, não o desabafo. Um ponto decisivo: pela Súmula 621 do STJ, a decisão vale desde a data da citação, e o que já foi pago não é devolvido nem compensado.
Muita mãe aceita por anos um valor que foi fixado quando o filho tinha 3 anos e hoje tem 12, como se aquilo fosse imutável. Não é. A pensão foi feita para acompanhar a vida, e a vida muda.
Este guia explica quando cabe revisão, o que prova a mudança e desde quando o novo valor passa a valer. Para o panorama geral, veja o guia completo de pensão alimentícia.
Quando cabe pedir revisão
Motivos que costumam aumentar
Motivos que costumam reduzir
As provas que convencem
Como pedir, de graça
Desde quando o novo valor vale
O que fazer enquanto o processo corre
Revisão não é a mesma coisa que reajuste
Pontos-chave
Perguntas frequentes
Quando cabe pedir revisão
O artigo 1.699 do Código Civil é curto e claro: se depois da fixação sobrevier mudança na situação financeira de quem paga ou de quem recebe, pode-se pedir ao juiz exoneração, redução ou majoração do valor.
A palavra-chave é mudança. A revisão não serve para rediscutir se o valor original foi justo: serve para adequar a decisão a um fato novo, ocorrido depois.
⚠️ Não confunda com recurso. Se você acha que o juiz errou na sentença, o caminho é recorrer, dentro do prazo. A revisional é outra coisa: ela parte do princípio de que a decisão estava certa para aquele momento, e pede ajuste porque o momento mudou.
Motivos que costumam aumentar o valor
Do lado da criança, o que costuma pesar:
- Crescimento: criança de 4 anos e adolescente de 14 custam coisas muito diferentes. Escola, alimentação, transporte e roupa sobem juntos.
- Entrada na escola ou mudança para uma instituição mais cara por necessidade.
- Despesa de saúde nova: diagnóstico, tratamento contínuo, terapias, aparelho ortodôntico, plano de saúde.
- Diagnóstico de deficiência ou transtorno que exige acompanhamento especializado.
- Perda de renda da mãe, que reduz a parte que ela consegue cobrir.
Do lado de quem paga, o que costuma pesar:
- Melhora de renda: promoção, novo emprego, negócio que cresceu.
- Aquisição de patrimônio incompatível com a alegação de que não pode pagar mais.
- Fim de uma obrigação anterior que reduzia a capacidade dele.

Um valor fixado quando o filho era pequeno não acompanha a adolescência
Motivos que costumam reduzir o valor
É justo conhecer os dois lados, inclusive porque ajuda a se preparar caso ele peça redução:
- Desemprego comprovado ou queda relevante de renda.
- Doença que reduz a capacidade de trabalho.
- Nascimento de outro filho, que divide a mesma renda.
- Filho que passou a ter renda própria, especialmente depois dos 18 anos.
Nem todo motivo alegado é aceito. Um novo casamento, por exemplo, não costuma reduzir por si só, porque o filho anterior não pode ser prejudicado por uma escolha nova de quem paga.
As provas que convencem
Revisional se ganha com documento, não com narrativa. Prepare:
| O que você quer mostrar | O que serve como prova |
|---|---|
| Que a criança custa mais hoje | Boletos de escola, notas de material, receitas médicas, orçamentos de tratamento |
| Que surgiu despesa de saúde | Laudo, relatório médico, notas de remédios e terapias |
| Que a renda dele melhorou | Holerite, anúncio de vaga, redes sociais, registro de empresa, veículo novo |
| Que a sua renda caiu | Rescisão, carteira de trabalho, comprovantes de benefício |
Uma comparação simples ajuda muito: monte duas colunas, o custo mensal da criança na época em que a pensão foi fixada e o custo hoje. A diferença entre elas é o coração do seu pedido.

Receita, laudo e nota fiscal valem mais do que qualquer explicação
Como pedir, de graça
O caminho é o mesmo dos outros pedidos de família:
1. Procure a Defensoria Pública do seu estado, que atende gratuitamente quem não pode pagar advogado.
2. Leve a decisão anterior (sentença ou acordo homologado), os comprovantes das despesas atuais e o que você tiver sobre a renda dele.
3. A ação revisional é proposta, e o juiz pode fixar um valor provisório já no início, enquanto o processo corre.
4. O outro lado é citado, apresenta a defesa dele, e o juiz decide.
O procedimento detalhado do atendimento está em como pedir pensão alimentícia de graça.
Desde quando o novo valor vale
Esse é o ponto técnico que muda o resultado prático, e quase ninguém explica.
Pela Súmula 621 do Superior Tribunal de Justiça, os efeitos da sentença que reduz, aumenta ou exonera retroagem à data da citação, o momento em que a outra parte foi oficialmente chamada ao processo. E a súmula veda a compensação e a repetição: o que já foi pago não volta e não pode ser descontado das parcelas seguintes.
O que isso significa na prática:
- Se você conseguir aumento, a diferença é devida desde a citação, não só a partir da sentença. Vale a pena entrar logo.
- Se ele conseguir redução, ela também vale desde a citação, mas ele não recebe de volta o que pagou a mais nesse período.
- Demorar para entrar custa dinheiro. Cada mês de espera é um mês que não entra na conta retroativa.
O que fazer enquanto o processo corre
Duas regras simples e importantes:
O valor antigo continua valendo. Enquanto não há decisão nova, a decisão anterior é a que vale, e o não pagamento é inadimplência. Isso serve para os dois lados: você não pode cobrar o valor maior antes de conseguir, e ele não pode pagar menos antes de conseguir.
Continue registrando tudo. Guarde comprovantes de cada despesa nova durante o processo. Fatos que acontecem no curso da ação também podem ser considerados.
Revisão não é a mesma coisa que reajuste
Vale separar dois conceitos que costumam se misturar.
Reajuste é a atualização automática que já está prevista na decisão. Se a pensão foi fixada em percentual do salário, ela sobe quando o salário sobe. Se foi fixada em fração do salário mínimo, sobe em janeiro junto com o mínimo. Isso acontece sozinho, sem processo.
Revisão é mudar o critério ou o valor por causa de um fato novo. Exige processo.
É por isso que pensão fixada em valor fechado em reais é a menos vantajosa: ela não tem reajuste automático, e corrigir a defasagem exige entrar com revisional. Se a sua está assim, esse por si só pode ser um bom motivo para revisar.

A ação revisional também é gratuita pela Defensoria Pública
Pontos-chave
- A pensão pode ser revista a qualquer tempo se a situação mudar (Código Civil, art. 1.699).
- Revisão exige fato novo, não serve para rediscutir a decisão original.
- Crescimento do filho, despesa de saúde e melhora de renda dele são os motivos mais comuns de aumento.
- Provas vencem narrativas: boletos, laudos, receitas, holerites.
- A decisão vale desde a citação (Súmula 621 do STJ), e o já pago não volta nem compensa.
- Entrar logo importa: cada mês de espera fica de fora do retroativo.
- Enquanto o processo corre, vale o valor antigo.
- Valor fixado em reais não reajusta sozinho: isso costuma justificar a revisão.
Perguntas frequentes sobre revisão de pensão
Posso pedir aumento da pensão porque meu filho cresceu?
Pode. O crescimento traz despesas maiores com escola, alimentação, transporte e vestuário, e isso é considerado mudança de necessidade para os fins do artigo 1.699 do Código Civil. O importante é comprovar a diferença de custo.
Quanto tempo depois da sentença posso pedir revisão?
Não existe prazo mínimo. O que a lei exige é a mudança na situação de quem paga ou de quem recebe. Se o fato novo aconteceu, cabe o pedido.
O novo valor vale a partir de quando?
Pela Súmula 621 do STJ, os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera retroagem à data da citação, sendo vedadas a compensação e a devolução do que já foi pago.
Ele teve outro filho. Isso reduz a pensão do meu?
Pode ser considerado, porque divide a mesma renda, mas não é automático. O juiz avalia se houve mesmo redução da capacidade financeira e busca preservar o sustento de todos os filhos.
Preciso pagar advogado para pedir revisão?
Não, se você não tem condições. A Defensoria Pública também atua na ação revisional, e o processo corre com gratuidade de justiça.
Enquanto o processo corre, qual valor vale?
O valor da decisão anterior, salvo se o juiz fixar um valor provisório diferente no início da ação revisional. Deixar de pagar antes da decisão é inadimplência.
💛 O que fazer agora
1. Pegue a decisão antiga e veja de quando ela é e em que critério o valor foi fixado.
2. Monte duas colunas: quanto a criança custava então, quanto custa hoje.
3. Junte os comprovantes da diferença e o que você souber sobre a renda atual dele.
4. Procure a Defensoria e peça a revisional. Quanto antes citar, maior o retroativo.
Existe um cansaço específico em voltar ao fórum depois de tudo já resolvido uma vez. A sensação de “de novo isso” é real e é legítima. Mas repare no que mudou: o valor de anos atrás foi calculado para uma criança que já não existe mais: ela cresceu, e as contas cresceram com ela. Pedir revisão não é implicância nem ganância. É a manutenção normal de um direito que foi feito, desde o começo, para acompanhar o tempo.
Tem mãe recebendo há dez anos um valor calculado para um bebê.
📚 Fontes oficiais: Código Civil, art. 1.699 (Planalto) · Lei 5.478/68 (Planalto) · Súmula 621 do STJ
Este conteúdo é informativo e explica os direitos de forma geral. Cada situação de família tem particularidades, então, para o seu caso concreto, procure a Defensoria Pública do seu estado (gratuita), o Ministério Público ou um advogado de família. Última atualização: agosto de 2026.
Patrícia Souza é advogada (OAB/PB 14.601), com atuação em direito de família, direitos sociais e inclusão de pessoas com deficiência. Criou o direitos da mamãe para levar, de forma gratuita e sem juridiquês, a orientação que tantas mães só descobrem tarde demais. Aqui, cada artigo é revisado juridicamente e escrito para que qualquer mãe entenda seu direito e o caminho para buscá-lo.






