Resposta rápida: os exames do pré-natal são gratuitos pelo SUS, do começo ao fim da gestação. O acompanhamento inclui, entre outros, exames de sangue (tipagem, hemograma, glicemia), testes para sífilis, HIV e hepatites, exame de urina, ultrassons e as vacinas da gravidez. O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas de pré-natal, e a gestante tem direito a iniciar o acompanhamento assim que a gravidez é confirmada, em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS), sem precisar pagar nada. Se o posto negar ou não oferecer algum exame, é possível reclamar na Ouvidoria do SUS (136) e na Secretaria de Saúde.
Descobrir uma gravidez traz alegria e, junto, uma lista enorme de exames com nomes complicados. E aí vem a preocupação: “quanto vai custar tudo isso?”. A resposta é a melhor possível: pelo SUS, nada. O pré-natal completo é um direito de toda gestante brasileira, gratuito, do primeiro exame ao parto.
Neste artigo, você vai encontrar a lista completa dos exames do pré-natal pelo SUS, organizada por trimestre, além das vacinas, dos ultrassons e do que fazer se faltar algum exame no seu posto. Tudo em linguagem simples, para você chegar às consultas sabendo exatamente a que tem direito.
Na minha atuação com direitos sociais, reforço sempre o mesmo: o pré-natal completo é um direito de toda gestante, com plano de saúde ou sem plano nenhum. Se o posto disser que “não tem” exame ou vaga, não aceite calada, cobre pela ouvidoria. Conhecer os seus direitos na gravidez é o que garante o atendimento.
Pré-natal pelo SUS é mesmo de graça?
Como começar o pré-natal (passo a passo)
Exames do primeiro trimestre
Exames do segundo trimestre
Exames do terceiro trimestre
Ultrassons: quantos e quando
Vacinas da gestante
Gravidez de risco: exames a mais
A importância do Cartão da Gestante
Se o posto negar algum exame
Pontos-chave sobre o pré-natal gratuito
Perguntas frequentes
Pré-natal pelo SUS é mesmo de graça?
É, e não é favor: é um direito garantido pela própria estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição de 1988 e organizado pela Lei 8.080/90. A saúde é um direito de todos e um dever do Estado, e o cuidado com a gestante e o bebê é uma das prioridades da rede pública.
Na prática, isso significa que as consultas, os exames laboratoriais, os ultrassons de rotina, as vacinas e o acompanhamento até o parto não têm custo para você. Esse cuidado é organizado dentro das políticas de atenção à gestante do Ministério da Saúde, que orientam a rede a garantir o pré-natal completo.
| 💰 Custo | Gratuito pelo SUS, do início ao parto |
| 🏥 Onde fazer | Unidade Básica de Saúde (UBS/posto) mais próxima |
| 🔢 Consultas | No mínimo 6, recomendação do Ministério da Saúde |
| 📋 Inclui | Exames de sangue e urina, ultrassons, vacinas, consultas |
| 📗 Documento-chave | Cartão da Gestante (registra tudo) |
| 📞 Se faltar algo | Ouvidoria do SUS (136) e Secretaria de Saúde |
Como começar o pré-natal (passo a passo)
- Passo 1: assim que suspeitar ou confirmar a gravidez, procure a UBS mais próxima da sua casa (você não precisa de encaminhamento nem de plano de saúde).
- Passo 2: leve um documento com foto, o CPF e o Cartão do SUS (se não tiver, o próprio posto faz).
- Passo 3: na primeira consulta, você recebe o Cartão da Gestante e os pedidos dos primeiros exames.
- Passo 4: faça os exames no laboratório da rede indicado e leve os resultados nas próximas consultas.
- Passo 5: mantenha as consultas em dia (no mínimo 6) e guarde o Cartão da Gestante sempre com você.

O pré-natal começa na UBS, sem custo e sem encaminhamento
Exames do primeiro trimestre (até 13 semanas)
Logo no início, o objetivo é conhecer a sua saúde e prevenir riscos. Entre os exames do pré-natal solicitados nessa fase estão, em regra:
| Exame | Para que serve |
|---|---|
| Tipagem sanguínea e fator Rh | Identificar o tipo de sangue e o risco de incompatibilidade Rh |
| Hemograma completo | Verificar anemia e a saúde geral |
| Glicemia de jejum | Rastrear diabetes |
| Exame de urina (EAS) e urocultura | Detectar infecção urinária, comum na gravidez |
| Sífilis (VDRL) e teste para HIV | Doenças que podem ser tratadas para proteger o bebê |
| Hepatite B e hepatite C | Prevenir a transmissão ao bebê |
| Toxoplasmose e rubéola | Avaliar imunidade e risco de infecção na gestação |
Muitos desses também estão disponíveis como testes rápidos na própria UBS (sífilis, HIV, hepatites), com resultado em minutos. O Cartão da Gestante registra tudo, e é por isso que você deve levá-lo em toda consulta.
Exames do segundo trimestre (14 a 27 semanas)
Nesta fase, o acompanhamento monitora a evolução da gravidez e rastreia condições que costumam aparecer mais tarde:
- Teste de tolerância à glicose (curva glicêmica): geralmente entre a 24ª e a 28ª semana, para rastrear o diabetes gestacional.
- Repetição de exames de rotina: hemograma, urina e, quando indicado, sorologias, para acompanhar a evolução.
- Coombs indireto para gestantes com fator Rh negativo, verificando a sensibilização.
- Ultrassom morfológico (detalhado abaixo), que avalia a formação do bebê.

Guarde o Cartão da Gestante: ele é o histórico do seu pré-natal
Exames do terceiro trimestre (28 semanas até o parto)
A reta final se prepara para o parto e garante que mãe e bebê cheguem seguros a esse momento:
- Repetição de sorologias (sífilis, HIV, hepatites), porque algumas infecções podem ocorrer ao longo da gestação.
- Hemograma e glicemia, para acompanhar anemia e diabetes.
- Pesquisa de estreptococo do grupo B (GBS), em regra por volta da 35ª a 37ª semana, para prevenir infecção no bebê no parto.
- Exame de urina, mantendo o controle de infecções.
- Avaliação para o parto, incluindo a orientação sobre a maternidade de referência.
Sobre a maternidade: a gestante tem direito de saber, com antecedência, onde será atendida no parto. Falamos disso em detalhe no artigo sobre a maternidade com vaga garantida.
Ultrassons: quantos e quando pelo SUS?
O ultrassom é um dos momentos mais esperados, e ele também é oferecido pelo SUS. Em regra, o acompanhamento inclui pelo menos um ultrassom durante a gestação, e a rede procura garantir os exames de imagem considerados necessários conforme a avaliação médica. Os mais comuns são:
| Ultrassom | Quando costuma ser feito | O que avalia |
|---|---|---|
| Obstétrico inicial | Primeiro trimestre | Confirma a gravidez, a idade gestacional e os batimentos |
| Morfológico | Por volta de 20 a 24 semanas | Avalia a formação dos órgãos do bebê |
| Obstétrico de acompanhamento | Terceiro trimestre, quando indicado | Crescimento, posição do bebê e placenta |
⚠️ Atenção: a disponibilidade e a quantidade de ultrassons podem variar de cidade para cidade, conforme a estrutura da rede local. Se o seu médico solicitou um ultrassom e há demora para agendar, não desista: cobre o agendamento na UBS, registre a solicitação e, se preciso, procure a Ouvidoria do SUS (136). O exame indicado pelo profissional faz parte do seu direito ao pré-natal.
Vacinas da gestante (também gratuitas)
As vacinas fazem parte do pré-natal e protegem você e o bebê. Pelo SUS, são oferecidas gratuitamente, entre as principais:
- dTpa (difteria, tétano e coqueluche): protege o bebê contra a coqueluche nos primeiros meses de vida.
- Hepatite B, quando a gestante ainda não é imunizada.
- Influenza (gripe), especialmente nas campanhas sazonais.
- Outras vacinas conforme a avaliação e o calendário vigente.

As vacinas da gravidez protegem a mãe e o bebê, sem custo
Gravidez de risco: exames a mais, também pelo SUS
Se a sua gestação for classificada como de risco (por pressão alta, diabetes, idade, histórico ou outras condições), o SUS deve oferecer um acompanhamento reforçado, com mais consultas, exames adicionais e, quando necessário, encaminhamento para o pré-natal de alto risco em serviço especializado.
Esse encaminhamento é um direito seu: ele parte da UBS para o serviço de referência, sem custo. Se você tem uma condição que exige cuidado especial e não foi encaminhada, converse com o profissional e cobre o direcionamento. A proteção da gestante de risco é uma prioridade da rede.
Por que o Cartão da Gestante é tão importante
Pode parecer só um papelzinho, mas o Cartão da Gestante (também chamado de caderneta) é um dos documentos mais valiosos da sua gravidez. Nele ficam registrados todos os exames do pré-natal, o resultado de cada um, o seu tipo sanguíneo, as vacinas, o peso, a pressão e a evolução do bebê a cada consulta.
Ele importa por três motivos práticos: primeiro, garante que qualquer profissional que te atender, inclusive na maternidade no dia do parto, saiba todo o seu histórico na hora. Segundo, é a prova de que você fez o acompanhamento, o que ajuda em benefícios como o salário-maternidade e em qualquer situação que exija comprovar a gestação. Terceiro, ele te dá autonomia: com o cartão em mãos, você acompanha seus próprios resultados e percebe se algum exame ficou para trás.
💡 Dica: ande sempre com o Cartão da Gestante na bolsa, principalmente a partir do terceiro trimestre. Se você entrar em trabalho de parto de surpresa, ele é o documento que conta toda a sua história para a equipe da maternidade em segundos, e isso pode fazer diferença no atendimento.
O que fazer se o posto negar ou não oferecer um exame
Infelizmente, às vezes falta estrutura, demora o agendamento ou alguém diz que “não tem”. Isso não significa que você perdeu o direito. Faça assim:
- Registre a solicitação: peça que o pedido do exame fique documentado no seu prontuário e no Cartão da Gestante.
- Cobre o agendamento na própria UBS e pergunte pelo prazo e pela unidade de referência.
- Ouvidoria do SUS: ligue para o 136 (gratuito) e registre a reclamação. É um canal oficial e costuma destravar situações.
- Secretaria Municipal de Saúde: procure a ouvidoria ou o setor responsável do seu município.
- Defensoria Pública: em casos de recusa persistente de um exame ou encaminhamento necessário, a Defensoria pode atuar gratuitamente para garantir o direito.
💡 Dica: guarde tudo por escrito, os pedidos médicos, os protocolos de agendamento e os números das reclamações. Essa documentação é o que transforma um “não tem” em um direito garantido, se você precisar acionar a Ouvidoria ou a Defensoria.
Pontos-chave sobre o pré-natal gratuito
- Tudo é gratuito pelo SUS, do início ao parto: consultas, exames de sangue e urina, sorologias, ultrassons de rotina e vacinas.
- O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas, e a gestação de risco tem acompanhamento reforçado, com mais consultas e exames.
- Não é preciso plano de saúde nem encaminhamento. Basta procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima assim que a gravidez for confirmada.
- O Cartão da Gestante é o documento-chave. Ande sempre com ele na bolsa: se o trabalho de parto começar de surpresa, ele conta a sua história para a equipe em segundos.
- A quantidade de ultrassons varia conforme a rede local, mas exame pedido pelo médico é direito seu: cobre o agendamento e registre a solicitação.
- Faltou alguma coisa? Registre o pedido no prontuário, guarde protocolos e acione a Ouvidoria do SUS (136) e a Secretaria de Saúde; a Defensoria Pública ajuda de graça.
Perguntas frequentes sobre os exames do pré-natal pelo SUS
Preciso pagar algum exame do pré-natal?
Não. O pré-natal pelo SUS é gratuito, incluindo consultas, exames de sangue e urina, ultrassons de rotina e vacinas. É um direito garantido pela estrutura do SUS.
Quantas consultas de pré-natal eu tenho direito?
O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas, mas gestações que exigem mais acompanhamento (risco) têm direito a consultas e exames adicionais.
Preciso de plano de saúde para fazer o pré-natal?
Não. Qualquer gestante pode fazer o pré-natal completo pelo SUS, gratuitamente, na Unidade Básica de Saúde mais próxima, sem plano e sem encaminhamento.
Quantos ultrassons o SUS oferece?
Em regra, ao menos um ultrassom, e os exames de imagem considerados necessários conforme a avaliação médica. A quantidade pode variar por município; exame indicado pelo médico é direito seu, cobre o agendamento se demorar.
Sou gravidez de risco. Tenho direito a mais exames?
Sim. A gestação de risco tem acompanhamento reforçado, com mais consultas e exames e encaminhamento ao pré-natal de alto risco, tudo pelo SUS.
O posto disse que não tem o exame. E agora?
Registre o pedido no prontuário, cobre o agendamento e acione a Ouvidoria do SUS (136) e a Secretaria de Saúde. Em recusa persistente, a Defensoria Pública pode ajudar gratuitamente.
📌 Para não esquecer: os exames do pré-natal são gratuitos pelo SUS, do início ao parto: sangue, urina, sorologias, ultrassons e vacinas, com no mínimo 6 consultas. Comece na UBS assim que confirmar a gravidez, guarde o Cartão da Gestante e mantenha as consultas em dia. Faltou algo? Registre por escrito e acione a Ouvidoria (136).
💛 O que fazer agora
1. Procure a UBS mais próxima e inicie o pré-natal.
2. Receba o Cartão da Gestante e faça os primeiros exames.
3. Mantenha as consultas em dia (no mínimo 6) e as vacinas em ordem.
4. Faltou exame ou ultrassom? Registre por escrito e ligue no 136.
Cada exame do pré-natal é um jeito de dizer ao seu bebê “estou cuidando de você desde antes de te conhecer”. E o melhor: você não precisa escolher entre cuidar da saúde e caber no orçamento, porque esse cuidado é seu por direito, de graça. Vá às consultas de cabeça erguida, faça as perguntas que tiver e não deixe nenhuma dúvida para depois. Você e o seu bebê merecem esse acompanhamento, e ele é garantido para todas as mães deste país.
Compartilhe: muita mãe atrasa o pré-natal por achar que vai precisar pagar. E não vai.
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📚 Fontes oficiais: Lei 8.080/90 (SUS) · Ministério da Saúde (pré-natal) · Ouvidoria do SUS (136)
Este conteúdo é informativo e explica os direitos de forma geral. A lista e a disponibilidade de exames podem variar conforme o protocolo vigente e a rede local; para o seu caso, siga a orientação do profissional que acompanha o seu pré-natal e, em caso de recusa, procure a Ouvidoria do SUS (136) ou a Defensoria Pública. Última atualização: julho de 2026.
Patrícia Souza é advogada (OAB/PB 14.601), com atuação em direito de família, direitos sociais e inclusão de pessoas com deficiência. Criou o direitos da mamãe para levar, de forma gratuita e sem juridiquês, a orientação que tantas mães só descobrem tarde demais. Aqui, cada artigo é revisado juridicamente e escrito para que qualquer mãe entenda seu direito e o caminho para buscá-lo.






